Cotidiano de nossas vidas: Valorizando cada vez mais a dúvida…

E aí chega um dado momento na sua vida que você começa a questionar tudo, como uma criança de 4 anos que descobre o mundo. Começa a achar que muita coisa não faz mais sentido,  tanto de ser feita quanto de ser pensada e daí começa a incomodar.

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Incomoda, porque a gente foi criado por meio de idéias pré formadas por quem justamente nos ajudava a entender esses questionamentos. E aí você chega na adolescência e encontra um mundo totalmente louco, cheio de gente que voltou a questionar tudo e à romper regras e tal. E suas certezas absolutas da infância? E ai você se molda e toma pra si outras certezas….Vem outras idéias novas e você já sabe que gosta de morango, por exemplo.

Na adolescência nem da tempo de questionar com fundamento, você quer mesmo é que sua opinião e voz fale mais alto que os demais adolescentes  (grande maioria é assim)! E o que você aprende nessa fase? A ter mais e mais certezas absolutas sobre como se comportar, com quem quer ir, como quer agir e por aí vai….peita tudo e todos, mas sabe que agora não basta ser só morango, ele precisa estar mais durinho e vermelho (azedo é horrível).

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Ai você e chega na fase adulta,  desgastado de lutar e começa a se perceber mais seletivo, já sabe do que quer, como quer, qual gosto prefere e ensaia até debates calorosos sobre assuntos que sabe e até os que não sabe. Mas o vício da certeza absoluta ainda está ali,  em algum lugar, mas você não quer mais brigar nem argumentar. Vai em busca outras opiniões, outros contextos e busca a mudança. Vai e cai na real e percebe que o mundo segue girando e coisas novas acontecem… Sejam elas boas ou ruins e você precisa sair da zona de conforto,  você precisa decidir se o morango (mesmo azedo, por que você vai encontrar um monte por aí mesmo) dá um bom suco ou se você vai continuar buscando o mais vermelho e mais doce.

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Nesse momento, sai a cabeça dura e você volta aos 4 anos novamente: você questiona,  não para que suas idéias prevaleçam, mas para que sua perspectiva mude, para que você conheça outros contextos E para que você entenda de uma vez por todas que verdade mesmo só tem uma: a de que nem sempre precisamos saber de tudo nem ter a certeza de nada. Nada como um bom e velho morango (e que venha ele de qualquer jeito mesmo,  dane-se)

Bjbj ♣ nani

2 comentários em “Cotidiano de nossas vidas: Valorizando cada vez mais a dúvida…

  1. Que leitura mais gostosa de se fazer. Vivi exatamente isso! Na minha infância, fui criada em um ambiente protestante, então quando eu me deparei com a possibilidade de que tudo aquilo que eu internalizei não fosse algo real, eu pirei. E vivi um tempo muito amargo, eu me desconhecia, era como se todo aquele tempo eu tivesse acreditado em mentiras e nada parecia fazer sentido pra mim. Eu não sei exatamente como voltei a crer, mas quando retornei às bases da minha fé, elas estavam absolutamente mais seguras e firmes e o mais importante, muito menos alienante e bitolada. Eu penso que esse tempo cético me fez reavaliar se a crença era minha, ou se a haviam colocado em mim. Tive um professor de faculdade que disse o seguinte: “Suas certezas só vão ser certezas, se um dia elas forem colocadas em dúvida”. Mas não só no lance de fé e religião que isso acontece, acontece com uma série de fatores. A opção sexual, a opção da formação acadêmica, entre outras… Queria deixar pra você uma pequena poesia que fala desse meu momento:

    “HÀ MAR À NOITE!”:
    Um campo vasto, negro e veemente intenso
    contemplado na obscuridade da noite.
    É ali que acaba o mundo,
    depois das ondas que tocam a praia,
    onde só há trevas profusas, tal qual um abismo.
    Pouco menor que o vazio que em mim existia
    quando meus olhos não te encontravam.
    Embora quando o sol revela seus raios
    e abraçam esta extensão sombria
    expulsando o negrume que ocultava
    o furor de toda uma beleza,
    trêfego se admira que eu poderia ter me aquietado,
    pois mesmo à noite sempre há mar.

    Um beijo grande pra você, minha flor! Amei cada pedacinho do seu cantinho!

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    1. Nossa eliziane, que surpresa linda ter você aqui contando sua experiência, abrindo o seu coração! O que me dá alegria de vir escrever é ter a certeza que mais e mais pessoas, não importa a forma ou o motivo, serão impactadas e mudarão sua rotina (seja de pensamentos, de cuidados com a pele e cabelo, de vida). Bom saber que em alguma parte desse mundão temos pessoas que se olham bem por dentro e se incomodam por ficarem sempre na zona de conforto e querem fazer algo diferente, romper paradigmas que não fazem mais parte do seu estilo e crença e partem para o novo! Isso não é rebeldia, é autoconhecimento! Amei sua poesia, profunda, reflexiva e transmite exatamente isso que falamos aqui: sempre existe um mar lá fora, sempre do mesmo jeito e o que diferencia esse mesmo mar é como o admiramos, como a cada dia ele pode ser diferente dependendo de um olhar mais cuidadoso. Grannnnnndddde bj – nani

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