#Livros imperdíveis: Resgatando “A moreninha”, de Joaquim Manuel Macedo (Resenha)

Lembram neste post que eu resolvi tirar do papel uma vontade de resgatar a literatura nacional clássica? Pois aqui se promete, aqui se cumpre, povoooouuu! Vocês, leitores, não vão ver uma resenha chata, monótona nem rebuscada. Minha pretensão é escrever de forma que vocês tenham acesso à ideia geral da obra e que possam lembrar do que se trata este livro que marcou e ainda marca uma era da literatura nacional…sem rodeios nem tratamento ponto a ponto, entendem?

Segue, abaixo, minha primeira resenha do blog…estreando com “A Moreninha”, de  Joaquim Manuel Macedo. Confesso que valeu a pena a leitura e foi um grande prazer fazer esta resenha!

Resenha à moda “nanimoreira” rsrs.

Quem é esse tal de Joaquim Manuel de Macedo? Apresentando o escritor

Joaquim Manuel de Macedo

Nasceu em 1820 e morreu em 1882 aos 61 anos, o escritor era também médico, mas não chegou a exercer a profissão.

Formado na mesma época em que lançou o livro que o consagrou (A moreninha), é considerado o fundador da primeira geração do romantismo brasileiro. 

Introdução…esquentando um pouco o leitor

O autor começa a história já justificando possíveis falhas dos personagens e da história, que não tem a pretensão de ser politicamente correta nem certinha.Se coloca já como autor alvo de possíveis críticas, mas que está aberto à conselhos, já agradecendo pelas palavras que virão. A história se passa na época dos escravos, no Rio de Janeiro (mais precisamente ilha de Paquetá) representando a alta sociedade carioca em meados do século XIX.

Apresentando os envolvidos

A história gira em torno de três amigos no auge de suas aventuras amorosas, às vezes tendo êxito nas conquistas, outras vezes, nem tanto! Naquela época, as meninas já queriam “iscar” e “casar”; já os meninos só pensavam em “fingir” e “fugir”…mais ou menos como é atualmente hahah…

Felipe, estudante de medicina, convida seus amigos para um feriado na casa de sua avó, já que suas primas e irmã estarão lá e seus amigos apreciariam conhecê-las. A morena (sua irmã) é chamada de moreninha por um de seus amigos e seu nome verdadeiro é Carolina.

A moreninha, de Joaquim Manuel de MAcedo

Ressalto aqui que Augusto, um dos seus amigos, não se prende às mulheres por achar banal o romantismo e todas as coisas que o amor pode trazer; sua mente não se ocupa com nenhuma dama por mais de 15 dias!

Sabendo disso, Felipe aposta com Augusto o seguinte: “eu torno a afirmar que tu amarás uma de minhas primas durante todo o tempo que for da vontade dela.” E que se ” tiver amado a uma só mulher durante quinze dias ou mais, será obrigado a escrever um romance em que tal acontecimento confesse” por meio de um romance escrito pelo “perdedor”…ou também chamado de apaixonado! E assim partiram para o tal feriado.

O feriado fatídico

Ao encontrar a irmã de Felipe na ilha, Augusto já traçou seu perfil sobre ela: a tal moreninha era travessa, inconsequente e às vezes engraçada; viva, curiosa e em algumas ocasiões, impertinente…e só! Mas depois do jantar, seu conceito mudou…

Augusto é terrível na arte de conquistas: quer todas sem se apaixonar por nenhuma delas, articula bem, fala bem e conquista sem querer os mais variados tipos femininos: de senhorinhas indecentes à mocinhas rebeldes, seu coração é fechado para ser amante de uma só.

A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo 2

No desenrolar da história, Augusto explica o por que desse seu comportamento dito como machista: ele já foi atingido várias vezes pelo amor não correspondido – e era morena a mulher. Jurou para si mesmo que não se apaixonaria por nenhuma outra mulher, quiça morena. Depois se apaixonou por uma de pele rosa que numa conversa casual disse assim dele: “— Augustozinho?… Lamente-o antes, coitado! É um pobre menino com quem me divirto nas horas vagas!”…depois disso, resolveu nunca mais amar nenhuma mulher de cor rosada! E tantas outras que apareceram na sua vida, ele dizia a mesma coisa…por fim resolveu amar todas! Mas uma história o marcou profundamente…na infância!

O amor de Augusto

As senhoras e meninas da ilha ficaram intrigadas do por quê de Augusto ser tão volúvel e inconstante com as mulheres. Em um passeio com a avó de Carolina e Felipe, Augusto abre seu coração e revela que suas feridas começaram a abrir desde cedo, na sua infância: ele se apaixonou por uma menina – criança como ele há anos atrás.

O encantamento por ela foi quase que instantâneo; ela era graciosa, brincalhona e feliz! Se conheceram na praia, ela chamava ele de meu esposo e ele de minha mulher…sem maldades, coisa de criança que brinca de casamento de mentirinha, sabe?  Daí, foram surpreendidos por uma criança chorando. O pai desta criança estava falecendo e eles correram para tentar ajudar com ingenuidade.

A moreninha, de Joaquim Manuel de MAcedo 3

Chegaram lá e o homem falecia de fome e ela, gentilmente, cedeu suas moedas; para agradecer, este homem perguntou quem eram eles e a menina respondeu que eram “marido” e “mulher”…os presentes riram mesmo em um momento de dor e o homem casou-os para celebrar a vida em meio à uma morte que estava a caminho. Trocaram o que tinham de mais valioso: ele deu à ela seu camafeu, ela deu à ele sua esmeralda e foram saltitantes pela praia numa brincadeira ingênua. Depois, se despediram ser saber seus verdadeiros nomes..mas prometeram que guardariam para sempre este dia e os presentes trocados! Mas alguém escutou essa história entre a avó de Carolina e Augusto….tinha alguém escondido lá e que agora sabia disso.

Onde paramos? O retorno à infância e a explicação de tudo

Vou finalizar essa história, breve até mas cheia de vontade de ficar..valeria um filme, dos bons e que nos arrancam baldes de lágrimas no bom e velho romance blasé. O fato é: Augusto está perdidamente apaixonado pela moreninha e ela por ele, mas eles só se dão conta quando o feriado acaba e ambos retornam (ou tentaram) retornar às suas rotinas: ele, na faculdade envolvidos por livros de medicina; ela, naquela ilha cercada de bonecas e com o seu piano empoeirado (já que o prazer não estava mais lá). Ele volta à ilha depois de um tempo e encontra moreninha sofrendo por achar que ele era um falso mesmo…um amante de todos. 

E sabe o que acontece no fim? Ela mostra à ele seu camafeu…ele mostra à ela sua esmeralda. Um reencontro de crianças…ela não sabia que ele era aquele menino da praia que fora um dia de brincadeira seu esposo e que casaram a beira de um moço quase falecendo. Quando ela ouvir a conversa entre ele e sua avó, ficou intrigada e desconfiada. Ao mesmo tempo, sem saber se era ele mesmo, entende?A moreninha, de Joaquim Manuel de MAcedo 4

Ele, só ficou sabendo que era ela por que a própria moreninha depois de ter ouvido a conversa dele e da sua avó não acreditava que a história toda estava ali aos seus olhos. Era seu antigo e primeiro amor que fora trazido pela vida…coincidência, destino…não se sabe! Ali, naquela ilha onde eles se reencontraram, se casaram e juraram novamente amor eterno…como naquele dia lá da praia!

Tem coisas que só quem viveu numa época mais romântica pode sentir: era tudo muito envolvente e cheio de conquistas, as meninas se sentiam cortejadas e os homens se faziam presentes nesta arte, havia um tom de suspense e doce (do tipo eu te quero mas não posso me entregar tão fácil assim, sabe?)…e foi assim do início ao fim do livro!

E vocês? Gostaram da resenha à moda nanimoreira? Querem ler o livro todo? Clique aqui. Preparados para mais uma? Mês que vem será “O cortiço”, de Aluísio de Azevedo, beleza?

Deixo vocês com uma frase: “O maior inimigo do amor é a civilidade”, por Joaquim Manoel de Macedo (e não é verdade? rsrsrs)

bjbj ♣nani

5 comentários em “#Livros imperdíveis: Resgatando “A moreninha”, de Joaquim Manuel Macedo (Resenha)

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